quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Borboleta Vaidosa

Duas irmãs gémeas viajavam com os pais pelas simpáticas terras do Alentejo. O pai conduzia o carro devagar e os olhares, deslumbrados, deleitavam-se com a bela paisagem, um sol mais dourado a cair sobre os campos de trigo amarelo, salpicados pelo encarnado garrido e exuberante das papoilas. Uma das gémeas estava muito irrequieta. Ao fim de algum tempo, não resistiu e pediu ao pai para parar um bocadinho. Queria surpreender a mãe com um ramo de flores, pequeninas, roxas e azuis, que enfeitavam a beira da estrada. Rendido à beleza e à tranquilidade, o pai fez-lhe a vontade e parou o carro. -Vamos sair um pouco! O pai aproveitou a paragem. Tinha uma grande paixão pela fotografia e pelas viagens. Tirou do porta-bagagem a mochila com os apetrechos fotográficos. Enquanto montava e colocava tudo em ordem para fazer umas boas fotografias, as gémeas, de cabelos ao vento e com vestidinhos coloridos, pularam de dentro do veículo, correram em direcção às borboletas que esvoaçavam em redor das flores, a beber o pó da vida. Com o tripé às costas, o pai das pequenitas disse à família até já e perdeu-se pelos campos dourados. As papoilas vermelhas, de olhos negros, baloiçavam ao ritmo do vento. Borboletas, mariposas pousavam aqui e ali e as pequenitas, radiantes, corriam atrás delas. Os grilos e as cigarras cantavam alegremente numa desgarrada, naquele inesquecível entardecer. -Venham cá, meninas! -Gritou a mãe. Não podem perseguir as borboletas. Sentem-se aqui, por favor. Fisicamente as gémeas eram muito aparecidas, mas tinham um temperamento muito diferente uma da outra. Contrariadas, obedeceram à mãe. De cores vivas, as borboletas dançavam um bailado sem compasso, enquanto as meninas comiam, com apetite, deliciosas bolachas de limão, receita típica do alto Alentejo. Malfada, assim se chamava uma das gémeas, reparou que, um pouco mais afastada, estava uma borboleta a esvoaçar, multicolorida, a mais bela borboleta que algum dia tinha visto. Pairava com elegância sobre uma flor a beber o seu néctar. -Vem dançar connosco, não fiques aí sozinha Disse uma mariposa gentilmente à bela borboleta. -Não te aproximes de mim, eu não falo com borboletas nem mariposas insignificantes. – Disse a borboleta vaidosa com desdém. Aquela borboleta era muito vaidosa e egoísta, nem com a própria família falava. De uma beleza rara, achava-se muito importante e o seu sonho era ser famosa. Sempre sozinha, a esvoaçar constantemente, mostrando a todos como era a mais bela borboleta e a mais poderosa. O pai das gémeas regressou muito satisfeito com o seu trabalho. Levava na máquina belíssimos registos, para colocar na sua página na internet para dar a conhecer aos amantes da natureza a região do Alentejo. A mãe, com um sorriso nos lábios, chamou pelas filhotas. -Meninas, venham! Vamos embora. Tomaram rumo ao sítio onde estavam hospedados. Era um recanto maravilhoso, como tantos outros que existem espalhados por todo Alentejo. Depois de entrarem no carro e da mãe ter apertado os cintos de segurança, a pequena Mafalda disse muito baixinho para a irmã. -Tenho aqui uma borboleta muito bonita. Dá-me a caixa de madeira que tem os lápis de cor. -Mostra lá a borboleta! Ela vai morrer. - Disse Carolina, curiosa. Com muita perícia e jeitinho, colocaram a borboleta na caixa dos lápis de cor. A borboleta pediu socorro às outras borboletas e mariposas, mas ninguém a ouviu. Quando se apanharam finalmente a sós no quarto, tiraram a borboleta da caixa e colocaram-na num frasco de vidro. Trocaram ideias e opiniões sobre a nova vida da borboleta. Acerca do nome da borboleta, concordaram que se chamaria ”arco-íris” pelas suas lindas cores e a nova casinha ser a caixa dos lápis de cor. Iria viver com elas para Lisboa. - Oh mana! As borboletas não podem estar fechadas. - Disse a Carolina, muito triste, ao ver a borboleta a esvoaçar contra o vido do frasco. No dia seguinte, a borboleta tinha perdido as cores, as asas estavam esbranquiçadas, mal podia levantar-se. A borboleta lutava, desesperada, para não morrer. Chorava e prometia ser humilde para todos os que a amavam. -Olha bem para a borboleta, está a ficar doente. Põe a borboleta a voar. Disse a Carolina com muita pena da bela borboleta. - Anda, anda, vamos nadar. Disse a Mafalda. A mãe foi arrumar o quarto das gémeas, enquanto elas estavam na piscina. Encontrou a borboleta no frasco de vidro, desmaiada. O pai, sentado à sombra dum chaparro, saboreava um copo de vinho, dos bons vinhos da região, alheio ao que se passava. Desfrutava plenamente da beleza arrebatadora daquele maravilhoso sítio, que tinha escolhido para passar umas mini férias com a família. Repimpadas à beira da piscina, as gémeas ouviram a mãe a chamar, forte e a bom som, e correram ao seu encontro. Quando viram o frasco, perceberam que tinham sido descobertas. - Quem fez isto? Perguntou a mãe zangada. As duas irmãs olharam uma para a outra e responderam: encontramos esta bonita borboleta e, como não podemos ter animais em casa, pensamos ter uma borboleta. - Venham cá, sentem-se aqui e olhem bem para o frasco que está na minha mão. Isto que vocês fizeram, é uma grande maldade. As borboletas não podem estar fechadas, elas têm que voar. É uma beleza para ser vista no ar. Entendem, crianças? No nosso apartamento não podemos ter animais, não temos condições. Os pais trabalham e as meninas andam na escola. Regressamos a casa, todos os dias, muito tarde. Os animais, sejam quais forem, têm que se sentir acompanhados e felizes. Não foi difícil convencer a Malfada. Ela abriu o frasco, deixou a borboleta sair. Vai, vai, borboleta, ao encontro da tua família e dos teus amigos, não te esqueças de ir dançar com os teus amigos. Abraçou a mãe, pediu desculpa e prometeu que não voltaria a fazer o mesmo. Mas, quando fosse grande, teria uma quinta com muitos animais. Mãe e filhas abraçadas juntaram-se ao pai que não se cansava de gabar aquele sítio paradisíaco. A borboleta esvoaçava satisfeita e divertida, em direção aos campos dourados de trigo. Com humildade, pediu às irmãs e primas” borboletas” e “mariposas” se podia brincar com elas. Sim, vem fazer parte do nosso bailado. A borboleta não contou o que lhe tinha acontecido, mas pediu desculpa, em frente de todos, pelo seu comportamento e prometeu a partir daquele dia ser amiga e generosa. De regresso a casa, as gémeas pensaram na aventura que tiveram com a borboleta, ela iria ser muito infeliz fechada e acabaria por morrer. E a vida não estás nas mãos de ninguém. - Espero que a borboleta tenha aprendido com o susto que teve. Devemos cativar os amigos, a vida sem amigos é muito triste. - Disse Malfada, abraçando a irmã. Correram uma atrás da outra, radiantes, e juntaram-se aos pais na sala. Viam na televisão uma reportagem sobre a região alentejana, um manto de flores era o palco de um bailado de borboletas, entre elas estará a “arco-íris” arrependida, linda e singela.

terça-feira, 12 de março de 2013

Os Amarelinhos



 Era uma vez uma mamã galinha, branquinha, que tinha três pintainhos. Amarelinhos e com uma pinta preta na cabeça, distinguiam-se dos outros pintos do galinheiro. Eram muito fofinhos e viviam todos muito felizes, na capoeira da D. Alzira. Grande alvoroço instala-se todos os dias na capoeira à hora em que a D. Alzira vai alimentar os seus galináceos. Galinhas, pintos, frangas, garnizés e um galo para tomar conta do galinheiro. D. Alzira virou camponesa, depois de ter trocado a cidade pelo campo, quando se reformou. Mexer na terra, plantar, colher, acordar com o raiar do dia, fazia dela uma mulher feliz e realizada. Uma manhã, có…có…ró…có …có cantou o galo todo emproado, a despertar os galináceos para um novo dia. E, nesse dia, a mãe galinha apanhou um grande susto, o maior da sua vida. A galinha branquinha tinha encontrado um saco de milho muito douradinho num canto da capoeira. Com muito esforço, levou o milho para o seu espaço, pensando fazer umas bolachinhas com a ajuda dos filhotes. Mal sabia ela que estava a ser espiada pelo pinto Silvestre, que esfregava as mãos de contente com a brilhante ideia que tinha tido. Silvestre era um dos pintos, quase frango, do galinheiro. Muito amarelo, era muito vaidoso e refilão, ninguém na capoeira gostava dele pelo seu comportamento conflituoso. A mamã galinha recomendou aos filhinhos que não saírem dali nem falassem com ninguém enquanto ia dar dois dedos de conversa com a comadre, a galinha castanha, e, quando voltasse, iriam fazer as bolachinhas. - Vai descansada, mãe! Ficamos aqui a brincar. Somos bem comportados. Disseram os três em uníssono. O pinto Silvestre, mal viu a galinha a falar com a comadre, correu para o lugar onde viviam os pintainhos com a pinta preta na cabeça. - Olá, posso brincar com vocês? - Volta cá mais tarde, disse um dos pintainhos lembrando-se da recomendação da mãe para não falarem com estranhos. - Sabias que podemos sair daqui com facilidade? A rede tem um buraco. Até podemos conhecer o mundo do outro lado! Silvestre tanto espicaçou a curiosidade do pinto que este acabou por aceitar ir com ele, embora dizendo que não se podiam demorar, não fosse a mãe voltar. Quando a mãe chamou os filhotes para fazerem as bolachinhas, só dois pintainhos apareceram ao chamamento da mãe. - Onde está o vosso irmão? Os dois pintos responderam que não sabiam. - Não saiam daqui que eu vou à procura dele. A galinha correu o galinheiro todo, cacarejando desesperadamente, mas nada, nem vestígios do filho. Um coelhinho malhado, que vivia numa toca do quintal da D. Alzira, todos os dias corria e saltava, tic…tic…tic…, em direção à plantação de cenouras. Estava ele sentado a comer gulosamente uma grande cenoura, quando ouviu um som aflitivo. De mansinho aproximou-se e qual o seu espanto quando viu no meio das cenouras um pintainho a piar…piu …piu…piu... O coelho rapidamente roeu a corda que prendia as patinhas do pequeno galináceo, perguntando: - Quem te prendeu aqui, pintainho fofo? O pintainho amarelinho, quase sem forças, mal conseguia falar e muito baixinho respondeu: - Foi o pinto Silvestre que me enganou, prometeu-me mostrar o mundo e deixou-me aqui preso. Ele é muito mau e mentiroso. Eu quero a minha mãe e os meus irmãos! Por favor, leva-me até eles, suplicava chorando. O coelho ofereceu-lhe o seu lombo como transporte e lá foram eles para a capoeira. Silvestre, depois de ter deixado o pintainho no meio das cenouras, correu para a capoeira, mas, de repente, vê uma lata com tinta preta e com muita habilidade faz uma pinta preta igual à dos outros pintos. Radiante, entrou no espaço da galinha branquinha e, timidamente, aproximou-se. A galinha branquinha deu pela sua presença, mas nem se virou. - Depois falamos! Disse a mãe com cara de poucos amigos. Agora vem ajudar a fazer as bolachinhas. O pintainho desaparecido, mal viu a mãe e os irmãos, saltou do lombo do coelho e correu para a sua família. - Adeus coelhinho, obrigada! - Estou aqui mãezinha, desculpa, desculpa, disse o pintainho correndo para galinha branquinha. Mas a galinha afastou o pintainho e docemente disse-lhe: - Estás enganado, meu fofinho, eu tenho aqui os meus três filhos, apontando para os três pintainhos com a pinta preta na cabeça. - Não, eu é que sou o teu filho, um deles é o pinto Silvestre, ele prometeu-me mostrar o mundo lá fora e enganou-me, chorava o pintainho sem parar. De repente, a D. Alzira deitou um balde de água no terraço com tanta força que atingiu um dos pintainhos. O pintainho ficou todo ensopado e uma tinta preta escorreu-lhe pela cabeça abaixo. A galinha percebeu o que tinha acontecido e acolheu com alegria o seu próprio filho, enquanto Silvestre, ao ser descoberto, fugiu a gritar: - Eu só queria fazer bolachinhas! Silvestre não era mau. Portava-se mal, porque era órfão, não tinha mãe nem irmãos, nenhuma família que o compreendesse, o abraçasse e falasse com ele. De maneira que sentou-se num canto escuro, encolhido, e começou a chorar de solidão. Uma galinha velhinha, que ia a passar, condoeu-se de Silvestre e ofereceu-se para ser sua avó. O pequeno Silvestre aceitou com alegria. Pulando e rindo de felicidade, foi pedir perdão à galinha branquinha e aos seus filhos e prometeu nunca mais fazer maldades. Na capoeira da D. Alzira reina agora a paz e a alegria e, de vez em quando, os três pintainhos amarelinhos com uma pinta preta na cabeça convidam o Silvestre para brincar e fazer bolachinhas de milho.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Simplesmente mulher!

Duas estrelinhas cintilam no nocturno céu azul descem à Terra e abraçam Mulheres A sua luz inunda rostos tristes e cansados Secam lágrimas das que lutam revoltadas contra discriminação e sevícias No seu olhar ressurge a esperança de que um dia, dias especiais, não serão mais necessários As mulheres sorriem e agradecem ao divino São simplesmente Mulheres!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Gato Bill e o rato Zé

Era uma vez um rato chamado Zé que vivia no campo, sozinho, num dos buracos de um velho casarão desabitado e com mais de 400 anos. Zé era o rei daquele território, mas vivia muito triste porque não tinha amigos. Um dia tinha ele acabado de acordar quando ouviu um barulho estranho vindo do casarão. Esfregou os olhitos, apurou os ouvidos e sorrateiramente saiu do seu buraco. Cautelosamente entrou na casa e viu por ali um grande reboliço. Uma grande família tinha invadido o seu espaço, pais, filhos e netos, entravam e saiam trazendo para dentro de casa cestos e malas. Olhando ao seu redor, chamou-lhe a atenção uma bola de pêlo vermelho alaranjado sentada perto da lareira. De repente, viu uns olhos brilhantes e uns grandes bigodes e escondeu-se, reconhecendo o seu inimigo. Atento ao seu redor, viu um dos homens fazer um carinho ao gato: “Meu velho Bill doentinho” disse ele “fica aqui sossegado” e o gato ronronou, sinal que estava feliz. Bill tinha sido um belo felino, sempre bem-humorado mas implacável com o inimigo. “Estranho” pensou o rato “a bola de pêlo não dá pela minha presença” e pé ante pé foi-se aproximando-se mais do gato, fazendo piruetas à sua frente. Este abriu os olhos, fez um pequeno som de miau e continuou a dormitar. A mesa da sala de estar estava coberta com figos, frutas, bolos, queijo e mel. Maravilhado, o rato do campo bendizia a vinda daqueles estranhos. Saltou e dançou de contentamento. O seu estômago estava cansado de comer trigo e ervas. Confortável no seu lugar, o gato Bill observava discretamente o rato Zé a deliciar-se com aquelas boas iguarias, mas não se incomodou e voltou a fechar os olhos. Ria, uma das meninas, vê o rato a pular para a cadeira e grita: “Bill, apanha o rato!” mas o gato nem abriu os olhos. Assustado ao ouvir a pequena Ria, o rato Zé desapareceu velozmente. Isto não fosse a bola de pêlo obedecer e começar uma corrida desenfreada entre eles... o que não aconteceu. Os dias passavam alegres para o ratinho. Tinha boa comida e mudou-se para um buraco da cozinha, sítio mais quentinho. Zé ainda não estava convencido de que o pobre Bill estava velho e doente e pensava que podia ser uma ratoeira, de modo que com esperteza, aproximou-se do gato e deixou no prato um pedaço de queijo. O gato um pouco molengão, bufou, saltou ligeiramente e levou o queijo à boca. Assim, dia após dia, nasceu entre eles uma amizade. Todos os dias o rato do campo visitava a bola de pêlo vermelho alaranjado, e radiante deixava sempre um presente no prato do seu novo amigo. Bill levantava a patinha a muito custo, como dissesse obrigado. Ria, sentada no velho cadeirão, observava os dois animais; o rato chiava, o gato miava, como que a cumprimentarem-se. “Avô”, perguntou ela, “então o gato e o rato não são inimigos?” “Na amizade não há raças nem cores, simplesmente acontece.” Respondeu o avô com um sorriso rasgado, acariciando o cabelo louro da neta. E para sempre, naquele velho casarão perdido no meio do campo, reinou a paz e a felicidade entre humanos e animais.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Maravilhoso fim de semana



Era uma vez duas meninas Beatriz e Inês. Eram irmãs gémeas. Tinham sete anitos, andavam na segunda classe e gostavam muito de pregar partidas aos amigos, fazendo-se passar uma pela outra.
Convidaram uma amiguinha da escola para passar o fim-de-semana com elas.
Ansiosas, as gémeas contavam pelos dedos os dias que faltavam para estarem as três juntas. Beatriz queria mostrar à amiga um sítio especial, o seu lugar preferido, quando estava zangada ou tinha necessidade de falar com o seu amiguinho imaginário. Refugiava-se em cima do telhado da enorme casa de bonecas que estava na varanda do andar onde viviam. Inês tinha uma outra ideia e queria pô-la em prática sem falhar o seu objectivo. Pediu à mãe para fazer as bolachas que costumam fazer na época de natal. Mãe e filhas passaram a tarde a fazer as bolachinhas e mais um bolo de chocolate para presentear a visita especial, a amiguinha Mafalda.
Pela primeira vez, tinham uma amiga a passar o fim-de-semana com elas. Era preciso pensar onde a amiga iria dormir, pois a cama delas era pequena para três pessoas. Mas Beatriz teve a brilhante ideia de pedir à mãe para colocar o colchão que tinham de reserva no meio da cama delas e assim tinham a amiga mais próxima delas. O dia chegara finalmente e as pequenitas estavam muito contentes e tinham acabado de terminado as tarefas escolares antes de Mafalda chegar. Já podiam ir brincar descansadas, iriam aproveitar o tempo para as suas brincadeiras favoritas.
A campainha toca às três horas em ponto daquele inesquecível sábado. Com um brilho nos olhos, as duas irmãs abrem a porta acompanhadas pela mãe.
Brincaram tanto que nem lanchar queriam, não fosse a mãe lembrar que tinham que comer senão não teriam força para continuarem a brincar. O tempo passou rápido e já eram horas de irem dormir. Pela primeira vez, dispensaram a história habitual que a mãe ou o pai lhes contam antes de adormeceram.
A mãe das gémeas recomenda que são horas de dormirem para no dia seguinte poderem continuar a brincar até os pais da Mafalda a virem buscar.
Passados uns minutos, a Inês incentiva a irmã e a amiga a irem à cozinha comer umas bolachinhas. Sim vamos, disse a irmã, mas Mafalda fica em silêncio. As gémeas levantaram-se pé ante pé dirigiram-se à cozinha. Mafalda, aflita, diz ter medo do escuro. Beatriz prontificou-se a acender a sua lanterna. Não faças isso que os pais acordam. Mafalda não tenhas medo o escuro, é o contrário do claro. Voltou para traz e pegou na mão da amiga, anda lá, não tenhas medo. A mãe diz que é natural as crianças terem medo, faz parte do nosso desenvolvimento. A mãe também confessou que, quando era criança, tinha medo do escuro e dormia com os seus bonecos preferidos. Eles davam-lhe segurança.
Levaram as bolachas para o meio da sala e, sentadas em almofadas, comiam com apetite as bolachinhas de natal. Não resistiram ao cansaço e acabaram por adormecer.
Os pais da Inês e Beatriz, que estiveram sempre atentos, levaram as miúdas de volta para a cama. Mafalda sentiu o conforto de uns braços, aninhou-se, e começa a falar muito baixinho, não tenho mais medo do escuro. Emocionada, a mãe das pequenitas beija Mafalda ao deitá-la na cama provisória.
O casal abraçado, com um sorriso nos lábios, olha embevecido para as três crianças que dormiam profundamente.
Elas são a alegria e a pureza da nossa vida.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Na margem



Um olhar perde-se num casal de idosos que passeavam à beira-rio, de mãos dadas. Devagar e com os passos incertos, eles inalam a serenidade daquele lugar paradisíaco.
Sem se aperceberem que são observados, o homem diz para a sua companheira:
_Dá - me um beijo, meu amor? Pediu ele com um sorriso maroto.
_Cuidado, pode aparecer alguém! Responde confrangida - olhando ao seu redor.
_Sempre que vimos aqui passear dizes o mesmo. Disse sorrindo.
Ela volta a olhar em redor e como não vê ninguém próximo, oferece-lhe os lábios.
Com o olhar cheio de ternura e delicadeza nos gestos, beija-a suavemente como fosse um sopro de vida.
_ Pronto, pronto, diz ela, afastando-se um pouco.
¬Continuam o passeio de mãos dadas com um brilho nos olhos e um sorriso nos lábios
_¬_ O que te faz lembrar estes momentos? Pergunta ele sereno como o mar antes da tempestade.
Depois de uns minutos responde:
_A nossa juventude.
Com um sorriso luminoso deixa-se ir na corrente infinda das lembranças.
Na sua mente, naquele momento, perpassa um casal de jovens num outro rio numa outra margem em que ele corria atrás dela. Ela tinha o cabelo num rabo-de-cavalo, mostrando todos os suaves contornos do rosto atraente.
_Apanhei-te! Disse ofegante e roubando -lhe um beijo.
Ao princípio ficou surpreendida, mas relaxou e começou a corresponder ao beijo intensamente.
Ele queria perder-se nela. Relevar a sua essência dentro dela, tornar-se parte do espírito e do corpo dela.
Uma lágrima desliza mansamente trazendo um misto de saudade e felicidade. Aperta a mão do marido com mais força.
Ao longe várias mãos acenam-lhes. Com alegria no coração caminharam em direcção aos filhos e netos.
Uma voz curiosa pergunta:
_O que andaram a fazer?
O homem responde a sorrir, e abraça a esposa.
_ A namorar uns lindos olhos azuis e este sorriso maravilhoso da tua avó.


singularidade

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Rosas


Rosas,
enfeitam
alegram
perfumam a vida.

Rosas,
beleza
magia
paixão
nas veredas do coração.


Rosas,
desfolhadas
secas
inundam os olhos
de lembranças.

E retêm
as fontes de alegria.



singularidade