segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sonhando



 O dia acorda cinzento e chuvoso. Mil gotas caem numa vidraça embaciada pelo bafo de uma mulher. A solidão consome-a. Indolente e com um sorriso melancólico, caminha até uma mesa. Religiosamente, abre uma grande janela, numa outra dimensão, transportando-a a um mundo de sonho, alegria e muita magia. Lá era possível extravasar desejos e emoções.
Respirou o perfume azul que pairava no ar e que sabia a sol e a flores silvestres.
A mulher caminha, enfeitiçada, pelas veredas do jardim. Senta-se num pequeno banco de pedra, no local mais recôndito do jardim.

 O tempo desenha o presente.

Lado a lado, os seus olhares cruzaram-se, umas belas e distintas mãos percorriam levemente as teclas polidas de um velho piano. Grande apreciadora da música de piano, ouviu uma das mais belas partituras, o seu olhar focalizou-se no pianista de semblante sério e pensativo. Nunca tinha reparado naquele lugar maravilhoso. Um grande coração de tulipas de várias cores enfeitava a clareira.
 Em silêncio a janela fechou-se.
No dia seguinte, voltou ao mesmo sítio, o desconhecido não estava, sentou-se no banco, colocou as mãos nas teclas do piano, fingindo tocar e fechou os olhos. O seu coração bateu descompassado ao sentir uns passos, alguém se aproximava, abriu os olhos, o pianista estava à sua frente.
Um brilho de felicidade pairava nos olhos de ambos sempre que se encontravam. Para eles não havia passado nem tão pouco o amanhã, para eles o importante era o agora, o degustar de prazeres em busca da felicidade.
Deram as mãos e perderam-se no tempo.

Juntos, alegres e felizes, viajaram num carrossel de cores, sonhos e emoções, voaram até outros horizontes, conheceram culturas diferentes, gente maravilhosa. Neles a magia, a sedução, um todo querer. O descobrir de um novo mundo numa outra vida.
O tempo passava, o inverno já se fora, e a primavera chegara, eles embelezavam-no com esperança e sonhos
Momento de despedida, o silêncio tomou conta deles num abraço.
Sentada no banco de pedra, acaricia a saudade com lembranças dos momentos maravilhosos, era tempo de renascer, era primavera.

Nela a aceitação e num sorriso radioso ressurge a tranquilidade. Com carinho, despediu-se do seu amigo, arrumou-o num cantinho entre outros no seu coração.

Um novo começo, um sorriso a descobrir…



4 comentários:

Parapeito disse...

nostálgico este teu conto...tal como a musica que se espalha, e aquece,e aconchega a memória...
abraço amiga e brisas doces *****

Isa Lisboa disse...

"O tempo desenha o presente." Sim, é verdade! :)

Deixo o meu desejo de um Feliz Natal e de um 2014 sempre com criatividade!

Nilson Barcelli disse...

Um magnífico conto.
Tens talento para este género literário.
Um beijo, querida amiga Isa.

Aninha Trindade disse...

Adorei seu blog parabéns!!!